MUITO ALÉM DE MESAS E BALCÕES

Dezenove de março é Dia de São José, mestre carpinteiro e santo padroeiro dos profissionais que trabalham com madeira. É também a data escolhida para comemorar o dia do carpinteiro e do marceneiro.

É muito difícil precisar quando surgiram esses ofícios, uma vez que o processo de trabalhar a madeira, isto é, transformá-la em bens úteis para o homem, é tão antigo quanto as próprias civilizações. É um trabalho que costuma ser passado entre as gerações, de pai para filho e, assim como outras ocupações tradicionais, o mundo moderno tende a deixá-las um pouco de lado, esquecendo a grande importância que esses ofícios têm em nossas vidas.

No TRT-2, é possível observar o registro da necessidade de pequenos reparos, tanto em móveis quanto nas estruturas dos imóveis do Tribunal, logo nos primeiros relatórios da Presidência. Naquela época, os servidores responsáveis por essas tarefas ocupavam o cargo de “artífice” – ocupação que incluía a realização de trabalhos de manutenção e criação de estruturas de marcenaria/carpintaria, elétrica, alvenaria e até mesmo de manutenção de máquinas de escrever. Os cargos de artífice existiram no TRT-2 até 1996, quando foram convertidos em “auxiliar judiciário – serviços gerais”, com suas respectivas especialidades.

Com o passar dos anos, o crescimento do volume de processos, da quantidade de varas e de servidores tiveram como consequência o aumento da demanda por serviços de manutenção. Novas instalações passaram a exigir adaptações estruturais nos prédios, instalações de estruturas elétricas, divisórias e… mobiliário.

Mobiliário, por sinal, foi sempre um item recorrente nos relatórios da Presidência. Durante muitos anos após sua criação, o TRT-2 sofreu com a falta de mobiliário. Em alguns casos, chegou a ser ajudado por sindicatos com doações ou empréstimos. A confecção de móveis pela Seção de Marcenaria ainda demoraria um pouco: era necessário um espaço adequado, pessoal e maquinário específico para tanto.

1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Santos, Justiça do Trabalho de Santos, Relatório de atividades do TRT-2, Justiça do Trabalho 1944
Destaque de página do Relatório de Anual de Atividades do ano 1944, acerca da instalação da 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Santos e a falta de móveis e materiais.
1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Campinas, Justiça do Trabalho de Santos, Relatório de atividades do TRT-2, Justiça do Trabalho 1944
Destaque de página do Relatório de Anual de Atividades do ano 1944, acerca da instalação da 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Campinas. Se não fosse pelo auxílio de outros órgãos e instituições, faltariam móveis para o funcionamento das juntas instaladas.

Um setor responsável pelo serviço

Apesar de existirem servidores responsáveis pelos trabalhos envolvendo madeira desde as primeiras décadas do Tribunal, foi apenas em 1995 que o TRT-2 passou a contar com uma Seção de Marcenaria e Carpintaria. Antes da criação do setor, porém, a Seção de Manutenção era a responsável por tais serviços.

No Relatório Anual da Presidência de 1972 já é possível verificar que a Seção de Manutenção realizava pequenos reparos em móveis, confecção de peças simples, além de serviços de carpintaria. O setor produzia os balcões das juntas de conciliação e julgamento, além de escaninhos de processos e pastas. Os móveis eram simples, desenhados pela engenheira ou pela arquiteta do Tribunal, como conta Valdomiro do Vale, servidor aposentado da Marcenaria, que ingressou no Regional em 1970.

O relatório de 1982, por sua vez, indica a aplicação de fórmica em móveis, demonstrando que o serviço de confecção de peças já avançava, mas ainda carecia de um setor próprio. Em 1986, o setor foi responsável pela montagem de móveis do recém-criado TRT-15. Em 1987 é possível verificar no relatório da Presidência um novo concurso homologado para o cargo de artífice de carpintaria e marcenaria, indicando a demanda ainda crescente de serviços na área. No entanto, apenas em 1995 que a Seção de Carpintaria e Marcenaria seria criada, sendo vinculada à Diretoria de Serviços Gerais.

No ano de sua criação, a Seção de Marcenaria e Carpintaria foi alocada no 1º subsolo do edifício da Consolação, ainda precisando de espaço adequado e maquinário. Em meados de 1997, a Marcenaria foi para o bairro do Limão, recebendo melhores equipamentos e mais espaço. Ali permaneceu até 2004, quando foi transferida para o bairro do Jaguaré. Em 2010, uma nova mudança levou a seção para a r. James Holland, 500, onde permaneceu até o começo de 2018, quando finalmente foi instalada no anexo do Fórum Ruy Barbosa, onde está atualmente.

Instalações da Marcenaria no bairro do Limão (1997)

Instalações da Marcenaria no bairro do Jaguaré (2004)

Instalações da Marcenaria na Barra Funda, na r. James Holland (2010)

Instalações da Marcenaria em seu endereço atual, no bairro da Barra Funda, no anexo do Fórum Ruy Barbosa (2018)

No nosso dia a dia, muitas vezes não percebemos os trabalhos de nossos colegas. Mas, se você der uma olhada aí no seu ambiente de trabalho, perceberá que a marcenaria está em todo lugar: a mesa de trabalho, os armários (da vara do trabalho, do gabinete, da copa e até os do banheiro), portas, o escaninho para guardar processos… até aquela escadinha de MDF que você usa para alcançar as estantes mais altas do arquivo, tudo é feito pela Seção de Marcenaria…

Por falar no escaninho, uma história interessante: quando da inauguração do Fórum Ruy Barbosa, em 2004, o setor teve que confeccionar quase 4500 escaninhos de processos, em apenas 11 meses. Quando as varas foram instaladas no novo fórum, encontraram móveis novos, recém-instalados e os colegas inseparáveis: os escaninhos. Com a digitalização e o PJe, paulatinamente eles têm sido devolvidos à Marcenaria, uma vez que não há tanta necessidade deles nas varas e gabinetes. Esses escaninhos são desmontados e seu material é aproveitado na confecção de outros móveis, o que garante um viés de sustentabilidade ao trabalho desenvolvido pelo setor, adequando-se aos ideais de economicidade e preservação ambiental, tão caros nos dias de hoje. É possível conferir esse tipo de trabalho realizado pela Marcenaria em reportagem sobre reaproveitamento de móveis, produzida pela Secretaria de Comunicação Social, em 2017.

Atualmente, a Seção de Marcenaria conta com seis servidores do quadro do TRT-2, além de 12 trabalhadores terceirizados. Dos seis servidores, apenas dois são técnicos judiciários da especialidade marcenaria e carpintaria, nomeados no primeiro (e único) concurso para o cargo, em 1999.

Vida entalhada no formão

O paulista de Cândido Mota, José Norberto Barduzzi, é um dos dois únicos técnicos administrativos da especialidade carpintaria e marcenaria que fazem parte atualmente do quadro de servidores do Tribunal. Formado inicialmente em Engenharia Sanitária, mas tendo bisavô, avô e pai marceneiros, sempre teve contato com o ofício, desde a tenra idade. “Meu pai nasceu marceneiro e morreu marceneiro”, conta Norberto. Aos 12 anos, o servidor já ajudava o pai na marcenaria, em Jundiaí. Aos 14, teve seu primeiro registro na carteira de trabalho, em uma marcenaria.

Anos depois, já trabalhando em São Paulo, em sua própria marcenaria, Norberto tomou conhecimento do concurso público do TRT-2. Estava de passagem pelo bairro da Penha, quando viu uma grande fila em frente ao Banespa. Curioso, foi verificar do que se tratava: era a fila para inscrição no concurso do TRT-2, de 1999. Curiosamente, Norberto estava indo em direção ao fórum trabalhista de Guarulhos naquele mesmo dia – seria uma espécie de sinal? Como havia vagas para marceneiro, resolveu, despretensiosamente, prestá-lo.

Inscrito e aprovado na prova teórica, faltava a prova prática. Separados em três grupos de oito pessoas, os candidatos foram avaliados por um professor do Senai. No grupo de Norberto, a prova consistia na confecção de uma prateleira fixada com mão francesa em seus sarrafos. A princípio, a tarefa parecia simples, mas tinha um pormenor: sem utilizar pregos, cola ou parafusos. Os encaixes das peças deveriam ser entalhados na própria madeira, fixados por pressão e com o peso do próprio material. Essa técnica é muito comum no trabalho de marcenaria de origem oriental, especialmente a japonesa. Mas não muito dominada por todos os candidatos.

técnica de encaixe de madeira
A técnica de encaixe abre mão do uso de metais, evitando a oxidação e deterioração da madeira em contato com eles. Ela utiliza o peso e a pressão da própria madeira, valorizando o uso de madeiras de diferentes origens e evidenciando os encaixes como parte da obra, ao invés de escondê-los, como faz a marcenaria tradicional.
construções japonesas, técnica de encaixe de amdeira
A técnica de marcenaria e carpintaria utilizando apenas encaixes foi muito comum no Japão. Ainda hoje é possível encontrar trabalhos colossais feitos sem a utilização de pregos ou parafusos, como o templo budista Kyiomizu-dera, em Quioto, construído em 1633, sem a utilização de metais em sua estrutura. Atualmente a técnica está em desuso, pela sua inviabilidade em produção de larga escala. Ainda assim, é possível encontrar alguns artesãos e estudiosos que mantém viva essa arte.

Norberto conta que as ferramentas elétricas também não eram de precisão, o que dificultava o trabalho. Assim, não teve dúvidas: diante da impossibilidade de utilizar as ferramentas elétricas para um trabalho mais preciso, optou por entalhar as peças com um formão (ferramenta de entalhe, fornecida pelo Tribunal aos concorrentes) e cortá-las utilizando serras manuais. Os anos de experiência com marcenaria e o talento que corria em suas veias permitiram que a prova prática fosse executada com louvor. “Algumas pessoas não conseguiram completar a prova, perderam material para a serra circular, que era bem ruim”, conta.

Dos seus quase 20 anos trabalhando na produção de móveis no Tribunal, Norberto conta que já fez projetos interessantes. Um deles foi uma estante em “L” para o gabinete de uma desembargadora. “Virou moda: vários desembargadores queriam uma igual em seus gabinetes”, relembra. A estante acabou virando um “padrão” não oficial. Norberto também recorda de um móvel que fez para a Presidência em que teve de usar ferramentas suas, para garantir um melhor acabamento. “Foi bom porque permitiu que a gente solicitasse equipamentos melhores e pudesse atender com maior qualidade os trabalhos solicitados pelo Tribunal”, comenta.

Um matemático na marcenaria

A experiência do paulistano Nei dos Santos de Oliveira Souza, o segundo servidor nomeado no concurso de 1999 e que permanece no quadro do Tribunal, não foi muito diferente. Sua prova foi aplicada no período da tarde, com outro grupo de candidatos. A tarefa foi exatamente a mesma. Nei conta que o pouco tempo para executar a tarefa o impeliu a utilizar a serra circular. Concorda com Norberto, a serra não oferecia muita precisão, mas ainda assim, arriscou utilizar o equipamento. Nei logrou segundo lugar no concurso, logo atrás de Norberto. Lembra que foram quase 30 candidatos selecionados para a segunda fase. Desse total, apenas três candidatos classificaram-se e foram nomeados: Norberto, o próprio Nei e o físico Wagner Gomes Rodrigues Júnior, que exonerou pouco tempo depois e hoje se dedica à sua área de formação.

Assim como Norberto, Nei tem a marcenaria como herança familiar: seu pai e seu avô eram marceneiros. O servidor conta que sempre ajudou o pai em pequenos serviços, o que fez com que o interesse pelo trabalho despertasse nele ainda jovem.

Na época do concurso, Nei fazia licenciatura em matemática, e lecionava como professor substituto. Tomou conhecimento do certame pela sua sogra. “Fui fazer a inscrição no Banespa e comprei a apostila do concurso na banca ao lado. Estudei a legislação pela apostila.”, relembra.

O servidor é um grande entusiasta de ferramentas e conta com orgulho da sua coleção: formões e serrotes importados que garimpou de outros marceneiros antigos. Mesmo orgulho demonstra quando fala sobre seus trabalhos executados no Tribunal. Sua bancada de trabalho se destaca entre as outras: foi ele quem a projetou e executou. Um de seus grandes orgulhos são as molduras das placas de inauguração do prédio da r. da Consolação e do Fórum Ruy Barbosa. Trabalhos finos e delicados, feitos por Nei com muito carinho.

Quando perguntado sobre o significado do trabalho na Seção de Marcenaria, Nei afirma com a mesma segurança com que empunha a lapiseira usada para desenhar os modelos de seus projetos: “É a base para a minha vida. Uma base de aprendizado, de desenvolvimento, de crescimento”.

A evolução do trabalho ao longo do tempo

Assim como aconteceu em diversos setores do Tribunal, o crescimento do Regional impactou de forma direta no trabalho da Marcenaria. Só para se ter uma ideia do volume de trabalho que essa equipe enfrenta, no ano de 2017 foram 1378 ordens de serviço atendidas entre produção e instalação de divisórias, portas, móveis, além de manutenção.

Norberto nota que, com o passar dos anos, houve um aumento significativo do volume de trabalho, e aponta que a informatização facilitou a tramitação das ordens de serviço, bem como o controle da execução dos trabalhos. Atualmente, dedica-se mais à supervisão e à administração da Seção, mas não esconde o orgulho do que a marcenaria representa para ele. “É uma forma de preservar o patrimônio do Tribunal. Os móveis que fazemos duram mais, podem ser reformados e ficam durante anos no Regional”. E é verdade. Encontramos móveis feitos pela marcenaria com mais de 20 anos de fabricação.

Para Nei, o trabalho executado pela Marcenaria viabiliza a execução dos projetos da engenharia, permitindo um olhar técnico mais preciso, amparado pela vivência do dia a dia com a estrutura dos imóveis e das unidades do Tribunal. Essa experiência empírica se traduz em móveis e trabalhos de qualidade superior aos comprados externamente, e melhores adaptados às necessidades do TRT-2 e de seus usuários.

Além do trivial

Apesar de ser constantemente associado a pequenos reparos e construção de escaninhos, portas e mesas, o trabalho da Seção de Marcenaria vai muito além. Ideias vindas dos mais variados setores são ali recebidas e ganham forma. A equipe é responsável também por criar objetos com a finalidade de informar e distribuir cultura: as estantes dos projetos Roda dos Livros” e Rodinha dos Livros” são apenas alguns exemplos. Em parceria com a Secretaria de Comunicação e, agora, com a Ouvidoria do TRT-2, eles contribuem com campanhas institucionais que enriquecem ainda mais o trabalho da instituição.

E não é só: as mesas, as vitrines e as cúpulas da exposição “Memória do TRT-2: uma construção coletiva” também foram confeccionadas por nossos colegas; o recém-instalado painel de diretores da Ejud2, criado para celebrar os 25 anos da Escola Judicial, também é fruto do trabalho deles; é da marcenaria também o desenho e execução do “carrinho-estante” do projeto A biblioteca vai ao TRT-2″; ou mesmo as caixas do projeto “Ouvidoria Móvel” do TRT-2, distribuídas pelas unidades do Regional. 

No ambiente da Marcenaria é possível observar objetos confeccionados pela equipe que denotam mais do que domínio técnico sobre a madeira, mas também muita sensibilidade e engenhosidade. Tudo isso deixa claro que o trabalho de seus colaboradores vai além dos usos práticos dos móveis. Tem também aquele toque de arte e cultura, o que torna difícil não classificar o trabalho dessas mãos habilidosas, que dão forma e função para a madeira, como obras de arte ou produtos do ofício.

Um motorista pra lá de criativo

Impossível falar em criatividade sem citar o paulistano Antônio Coiado Martinez Junior. Servidor da área de segurança e transportes, Antônio ingressou no Regional em 1994 e atua no transporte da Marcenaria desde 2016.

Sua curiosidade e empenho com os trabalhos em madeira rendem peças muito interessantes, que chamam a atenção de qualquer pessoa, marceneiro ou não. Antônio conta que sempre teve interesse por trabalhos em madeira, tinha suas ferramentas em casa, mas nunca tinha trabalhado diretamente com isso. Após ser lotado no setor, descobriu uma vocação. Para o servidor, trabalhar na Marcenaria foi a melhor coisa que lhe aconteceu. O ofício ganha ainda importância especial em sua vida, inclusive em sua saúde emocional: “Eu sou motorista, mas eu vou ajudando o pessoal aqui. Trabalhar com madeira é uma terapia”, conta.

Antônio é responsável pela criação de diversos protótipos que posteriormente viram peças definitivas, sempre muito belas e engenhosas. Atualmente está fazendo um modelo de uma minicozinha para a creche do Tribunal. O projeto impressiona pela quantidade de detalhes. O trabalho, pelo esmero e cuidado dedicado. “O pessoal acha que a gente só corta madeira aqui, só faz balcão de vara”, comenta Antônio, enquanto mostra a serra construída com engrenagens de madeira, apenas para comprovar o quanto o trabalho desenvolvido por ele e seus colegas vai muito além de desenhos pragmáticos de móveis. Alcançam um quê de arte, expressão e a mais profunda demonstração de carinho.

Em casa

Quando Norberto e Nei chegaram à Marcenaria, aprovados no concurso de 1999, já havia uma equipe formada, oriundos dos antigos cargos de artífices, que haviam sido convertidos no cargo de “serviços gerais – especialidade carpintaria e marcenaria”. Essa equipe era composta por Valdomiro do Vale (servidor entre 1973 e 1997), o “mestre” (como era chamado pelos colegas), que detinha grande conhecimento técnico e prático; José Justo Tacine, o primeiro chefe da seção (servidor entre 1991 e 2007, falecido em 2015); Adilson Tepedino (servidor entre 1988 e 1997); Odair José Francisco (servidor entre 1986 e 2000, falecido em 2012) e Nicomedes de Oliveira Rocha (servidor entre 1985 e 2007).

Quase todos os “antigos” da Marcenaria aposentaram-se no começo de 2000, mas o período de convivência entre eles, apesar de curto, deixou muito aprendizado, amizades (entre eles, há até padrinhos de casamento) e histórias. Histórias essas que Norberto conta sempre com um sorriso no rosto, sem esconder a felicidade de ter partilhado esse breve tempo com eles. “O Valdomiro era muito engraçado, a gente chamava ele de ‘mestre’. Ele sabia muito de marcenaria. Depois que ele aposentou, foi morar em Sergipe, mas sempre ligava aqui para conversar, para perguntar se o pagamento já havia caído…”, conta Norberto aos risos. Quando entramos em contato com Valdomiro, encontramos um senhor simpático, de fala rápida e forte sotaque sergipano. Ao ouvir que o “pessoal da Marcenaria” fala muito bem de seu pai, e que o chamavam de “mestre”, o filho, Vagner, confirma o apelido, sem esconder o orgulho pelo seu pai artífice.

O próprio trabalho dos servidores que aposentaram continua vivo no Tribunal: em móveis feitos naquela época, ferramentas usadas por eles e que foram passadas aos mais jovens, em ensinamentos, técnicas e histórias, muitas histórias.

O clima de parceria e amizade estende-se a todos. Inclusive aos trabalhadores terceirizados. Irlando Cabral, que tem quase um ano e meio de Tribunal, é um deles. Com um sorriso tímido no rosto e muita simpatia, Seu Irlando, como é chamado pelos colegas, está sempre disposto a ajudar e realizar um trabalho que lhe dê orgulho.

Aliás, curiosidade do setor: todos os integrantes da Marcenaria se chamam de “Seu”: tem o Seu Nei, o Seu Irlando, o Seu Antônio e por aí vai… Norberto conta que usa essa forma de tratamento para demonstrar respeito entre todos os integrantes da Marcenaria, do chefe aos terceirizados.

Seção de marcenaria do TRT-2
A equipe da Marcenaria em registro de 2017. Foto: Secom/TRT-2.

Equipe de servidores terceirizados da Seção de Marcenaria, apresentada por Norberto:

Trabalho pra ficar para a história

Uma das coisas mais interessantes do trabalho da Marcenaria é perceber o quanto seus colaboradores, sejam servidores ou terceirizados, trabalham com paixão. O cuidado com que tratam os objetos que ali produzem e o carinho que dedicam a cada pedaço do Tribunal fica evidente em cada conversa. Foi esse um dos fatores que ajudaram a transformar a Seção de Marcenaria em uma grande parceira do Centro de Memória na exposição sobre a história do TRT-2, em 2018: a Marcenaria foi responsável pela produção de todo o mobiliário e painéis utilizados. Mas mais do que isso, ajudaram a localizar móveis antigos, que inclusive foram restaurados por eles, além de objetos, como placas antigas de juntas.

Um trabalho cuidadoso e dedicado, assim como destaca o paranaense Querência do Norte, Luiz Carlos Fernandes, servidor do Tribunal nomeado em 2001 e que desde 2008 atua na Marcenaria (com um intervalo de pouco menos de um ano, em 2012): “A gente percebe quando as coisas são feitas com carinho e quando são feitas meramente por ter sido feito, né? Aqui na Marcenaria a gente tem essa sensibilidade”.

A especificidade do trabalho, o contato diário, o amor pelo ofício, fazem com que o trabalho na Marcenaria seja, de uma forma geral uma grande satisfação – apesar de todo o stress envolvido. No fim, tudo acaba sendo compensado pela possibilidade de se trabalhar com o que se ama. E, dessa forma, ajudar a construir não só móveis, mas também histórias e relações. É assim que resume Norberto: “O Tribunal pra mim é uma casa”, define Norberto, sem deixar de esclarecer que o termo casa é usado no sentido de lugar onde se pode confiar nas pessoas, tornando as relações sociais do tribunal duradouras. Relações duráveis e confiáveis como os móveis feitos em madeira, que mesmo com marquinhas e arranhados, ajudam a contar a sua história, resistem ao tempo, ficando cada vez mais belos.Design sem nomeMemórias Trabalhistas é uma página criada pelo Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, setor responsável pela pesquisa e divulgação da história do TRT-2. Neste espaço, é possível encontrar artigos, histórias e curiosidades sobre o TRT-2, maior tribunal trabalhista do país.

Acesse também o Centro de Memória Virtual e conheça nosso acervo histórico, disponível para consulta e pesquisa.

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