80 ANOS EM MEMÓRIAS: MARLEY APARECIDA DE SOUZA ALMEIDA

O ano era 1993, e muitos dos meus sonhos começavam a se realizar, sonhos pessoais (o de ser mãe) e profissionais. Olhando para antes ainda, recordo-me das quantas vezes que eu, servidora pública estadual, passava ali na Consolação e me via trabalhando naquele que eu chamava de “prédio imponente e majestoso”. Era um sonho trabalhar ali!

E ambas realizações vieram juntinhas… E com elas muitas outras, consequentemente. Em março de 1993, tomei posse, mas não iniciei no “prédio imponente e majestoso”. Iniciei onde eu acredito que todos deveriam iniciar, numa Vara (Junta, na época)

O TRT, de onde muito me orgulho trabalhar, me proporcionou e proporciona, além do crescimento e amadurecimento pessoal e profissional, muitas conquistas, materiais e emocionais. Do meu efetivo e por vezes exaustivo trabalho, veio a contribuição para hoje eu e minha família termos um lar bem estruturado e confortável, e a tranquilidade de ter dois filhos bem direcionados em suas carreiras. Pude também contar com a preciosa ajuda da creche do TRT, não posso esquecer que sem ela teria sido muito mais difícil. Gratidão!

Marley de Souza Almeida (primeira da esquerda para a direita), junto com seu filho Gabriel, em atividades da Creche do TRT-2 no ano de 1998. Foto: fundo Marley Aparecida de Souza Almeida / acervo TRT-2.

Não menos importante, foi no TRT que criei vínculos, muitos que serão para a vida. Ah! Como valorizo as amizades que construí em todos estes anos… São muitos amigos – amigos queridos, vocês sabem que o são! E não há como nomeá-los no momento, pois teria que ser num livro, cada um com sua história, e com a nossa história de amizade e carinho. Afetos que dei e recebi! Mais gratidão!

Marley com seu marido Aloísio e os filhos Giovana e Gabriel. Foto: fundo Marley Aparecida de Souza Almeida / acervo TRT-2.

Voltando à minha trajetória profissional, tive o privilégio de iniciar na Primeira Instância, onde fiquei cinco anos trabalhando como secretária de audiência (na 43ª junta de conciliação e julgamento). Nesta época só tínhamos as máquinas de escrever nas juntas. Eu chegava mais cedo para preparar os “joguinhos” de papel timbrado e carbonos, pois já adiantaria nas audiências. Uns tempos depois, as salas de audiência ganharam umas máquinas de escrever mais modernas, que guardavam na memória umas cinco frases… Nossa! Foi o paraíso. Isso ocorreu na época em que o prédio da Consolação recebia os primeiros computadores, e as varas herdaram as máquinas.

máquina datilográfica, Olympia,
Máquina datilográfica Olympia, com reprodução dos “joguinhos” de papel timbrado e carbono: uma folha rosa, uma folha azul e uma folha branca, com papel carbono entre elas. Foto: acervo TRT-2.

Mais para frente, quando a sede recebeu computadores mais modernos, as varas herdaram seus primeiros computadores. Eles ainda não tinham sistemas próprios de audiência, por exemplo. Mas mesmo só utilizando o Word, já podíamos gravar os modelos das atas. Foi uma evolução e alegria!

Depois disso, não fiquei muito tempo mais na primeira instância, pois uma tendinite já estava dando sinais, e tive que me afastar daquele trabalho que eu gostava tanto. Ali não havia rotina, a emoção me tocava muitas vezes, com as muitas histórias das partes, tantas vidas envolvidas num processo, em cada audiência. Muitas vezes cheguei a sair chorando ao final do dia… Com os relatos… Com as verdades e mentiras que ali eram contadas. Enfim, na sala de audiências, onde se tenta buscar a verdade dos fatos, a vida pulsa!

Marley (ao centro) junto com colegas do Administrativo (Setor de Cadastro). Foto: fundo Marley Aparecida de Souza Almeida / acervo TRT-2.

Dali fui para o Administrativo, mesmo desejando ficar na área Judiciária, foi muito bom e sei que nada é por acaso, e que tudo é aprendizado.  Levamos alguns sustos ali no prédio da Antônia de Queirós, quando no prédio, antes de ser interditado, as cadeiras “andavam”, saíam do lugar sozinhas, quando nos levantávamos, devido à inclinação na estrutura que estava ocorrendo. Mas fui muito feliz ali e trago muitos amigos daquele período.

Depois, voltei para a área Judiciária. Fiquei nove anos na 4ª turma, e mais muitos amigos conquistei naquele 3º andar (lembranças, doces lembranças!), fui muito feliz ali! Em seguida, mais uns anos em Gabinete (Jaime, meu querido, você sempre estará em meu coração). E, dali, pelo grupo da Corregedoria, voltei à primeira instância, com alguns percalços e insegurança no início, afinal (felizmente) tudo era diferente depois de quase 15 anos que eu havia saído. Tive algumas dificuldades no retorno, mas muita disposição e vontade de reaprender, além de muito acolhimento e felicidade no reencontro de amigos, e muitos mais amigos queridos, na certeza que os levarei para a vida. Saudades!

A servidora Marley Aparecida de Souza Almeida (à frente de blusa cinza) e colegas da 4ª Turma. Foto: fundo Marley Aparecida de Souza Almeida / acervo TRT-2.

Lógico que não foram só alegrias nesta minha jornada. Mas mesmo nos momentos tristes, que não foram muitos, felizmente, em nenhum deles me senti sozinha. Meus amigos estavam ali! Foram eles que me apoiaram quando eu passei por algumas situações de doenças, quando passei por assédio moral – lá no “prédio imponente e majestoso”, que tanto queria trabalhar (olha a vida ensinando sempre); e também sofri bullying, num ambiente tóxico pelo qual passei, mas também tive acolhimento.

Enfim, é a vida sendo a vida! E sigo na primeira instância, agora na Grande São Paulo, e continuo em minha jornada de comprometimento com o trabalho, querendo sempre aprender com os novos desafios que vão surgindo, e sempre conquistando novas amizades. Esta situação de pandemia nos afastou um pouco da presença dos amigos, nos fez ver a vida de um modo diferente, com mais empatia. Que nós possamos nos encontrar e nos abraçar num futuro próximo! Gratidão é a palavra que define estes 28 anos de TRT! Esperança é a que define daqui para a frente!


Marley Aparecida de Souza Almeida é servidora do TRT-2 desde 1993. Ingressou no Regional como datilógrafa de audiência na 43ª Junta de Conciliação e Julgamento, tendo atuado também na 4ª Turma do TRT-2, na 1ª VT de Barueri e na 45ª Vara do Trabalho. Atualmente é calculista da 1ª Vara de Taboão da Serra. Conheça um pouco do acervo fotográfico de Marley.


Este texto foi publicado no contexto da campanha “80 anos em Memórias”, que integrou as atividades em comemoração aos 80 anos de instalação da Justiça do Trabalho da 2ª Região, realizadas pelo Centro de Memória do TRT-2 no ano de 2021. Mais contribuições de servidores, servidoras, magistrados e magistradas do TRT-2 (da ativa e aposentados) podem ser lidas aqui.

Memórias Trabalhistas é uma página criada pelo Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, setor responsável pela pesquisa e divulgação da história do TRT-2. Neste espaço, é possível encontrar artigos, histórias e curiosidades sobre o TRT-2, maior tribunal trabalhista do país.

Acesse também o Centro de Memória Virtual e conheça nosso acervo histórico, disponível para consulta e pesquisa.


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Publicado por memoriatrt2

Aqui neste perfil, você encontra os textos produzidos por colegas que contribuem para a produção de conteúdo dentro do Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, setor que surgiu no segundo semestre de 2017, com o objetivo de pesquisar e divulgar a memória institucional do TRT-2.

2 comentários em “80 ANOS EM MEMÓRIAS: MARLEY APARECIDA DE SOUZA ALMEIDA

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