MEMÓRIA EM COLETIVIDADE

A gestão da memória tornou-se assunto amplamente discutido em 2020. Mesmo com a pandemia, tivemos a oportunidade de ver o trabalho desenvolvido por dezenas de servidores e magistrados dos mais variados ramos da Justiça em seminários, palestras, encontros virtuais e afins. Ganhamos um dia nacional para chamar de nosso, o 10 de Maio – Dia da Memória do Poder Judiciário. Ganhamos uma Resolução, que orienta os tribunais quanto à forma de gerir sua memória institucional.

A organização de órgãos em torno da gestão da memória é assunto recente no âmbito do Judiciário Nacional. Especificamente no âmbito da Justiça do Trabalho, porém, a história é mais antiga.

Desde 2006, o Fórum Nacional Permanente em Defesa da Memória da Justiça do Trabalho – Memojutra reúne servidores e magistrados imbuídos na missão de resgatar e preservar a memória da Justiça Trabalhista. O evento, de extrema importância entre os setores de memória e gestão documental de nossos órgãos, serve como ponto de encontro (ainda que de forma virtual, como aconteceu por duas vezes em 2020) para os diversos Regionais da Justiça do Trabalho, local onde se tira dúvidas, troca-se ideias e aprende-se com todos.

O Centro de Memória do TRT-2 participa de tais eventos desde outubro de 2017, logo após sua criação, ainda com uma equipe em formação. De lá para cá participou de todas as edições, com ao menos um representante. Em 2019, coube ao nosso Regional organizar o evento, que contou com palestras, visitas mediadas, dentre outras atividades que auxiliaram na troca de informações e experiências entre os Regionais.

Na edição de maio de 2019, por nós organizada, esteve presente o juiz do TJ-SP, Carlos Alexandre Böttcher, que, a partir daquele encontro, e de um outro, ocorrido em setembro de 2019, “História da Justiça: Os museus judiciários”, no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (que por sua vez reuniu órgãos de todo o Poder Judiciário), começou a lançar as bases dos contatos que viriam a formar o Memojus, uma rede nacional em prol da  memória do Poder Judiciário e que abarca memoriais, arquivos, bibliotecas, centros culturais e museus judiciários.

O Memojus começou atuando apenas como um grupo de Whatsapp, com constantes trocas entre seus membros (e já são mais de 200 participantes). Mas foi por meio das discussões e interações desse grupo que duas importantes conquistas aconteceram. A primeira delas é a instituição do Dia da Memória do Poder Judiciário, a ser comemorado em 10 de maio (com a publicação, pelo CNJ, da Resolução nº 316/2020). A segunda, e, para nós, a mais importante: a Resolução nº 324/2020, que atualizou e ampliou a Recomendação nº 37/2011, colocando a gestão da memória como instrumento fundamental e necessário para os órgãos do Poder Judiciário. Tudo em uma atuação articulada entre o juiz Carlos Alexandre Böttcher (TJ-SP) e a juíza Anita Job Lübbe (TRT-4, presidente do Memojutra) – ambos membros do Comitê do Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário – Proname -, junto ao CNJ.

Nossa terceira conquista está por vir: a aprovação e publicação do Manual de Gestão da Memória, que está sendo redigido a dezenas de mãos, sob a coordenação de ambos os magistrados que, incansavelmente, militam pela preservação da memória do Poder Judiciário.

Logotipo criado pelo CNJ em referência ao Dia da Memória do Poder Judiciário.

Quem trabalha com memória sabe o quão importante é qualquer avanço no sentido de institucionalizar sua gestão nas instituições. Acho que isso acaba por acontecer com diversos outros setores que são, como nós, relativamente novos e em especial relacionados à atividade-meio de seus respectivos órgãos. Nosso trabalho, como não cansamos de repetir, é de formiguinha e assim, pouco a pouco, vamos produzindo e tentando divulgar nossos projetos. Com o Memojus, vemos que não estamos sós nessa caminhada.

Menos de um ano depois, e com duas publicações “nas costas”, o Memojus segue crescendo, trocando informações, experiências, dicas e ideias. Já contamos também (sim, acabamos por virar parte de um mesmo todo) com uma página e um grupo no Facebook, além de um canal no YouTube, no qual são postados vídeos dos trabalhos de gestão de memória e gestão documental desenvolvidos pelos mais diversos órgãos do Poder Judiciário. O canal conta ainda com a série “Conhecendo o Memojus”, espaço destinado a uma breve apresentação de alguns dos participantes do grupo, de forma a conhecermos nossos pares das mais diversas instituições do Poder Judiciário do país (em sua maior parte, com uma trajetória muito mais longa do que a nossa), além de alguns outros órgãos de atuação correlata.

memojus

O Centro de Memória do TRT-2 foi convidado a participar desse projeto. E, com muito prazer, produzimos um vídeo que apresenta nosso setor, e fala um pouco sobre o trabalho por nós desenvolvido, mas, sobretudo, faz um balanço de nossos dois anos de atuação.

Fazer esse vídeo foi um processo que me levou à reflexão. Confesso que nunca pensei que poderia aprender tanto e me desafiar diariamente como faço em meu trabalho. Achei que isso não fosse possível dentro do serviço público. Mas posso dizer que, em todos os lugares pelos quais passei no TRT-2, isso foi uma verdade. Nos últimos dois anos, porém, os desafios se intensificaram (esse vídeo é um exemplo deles), os limites foram testados – de um jeito bom, é verdade. Porque me permitiu aprender outras coisas, ter novos olhares, analisar sob outras perspectivas.

Ver o que produzimos em tão curto tempo me deixa muito feliz e orgulhosa do trabalho que pouco a pouco vamos desenvolvendo. E cabe aqui um agradecimento. Grande parte de nosso trabalho só é possível graças à contribuição de diversos colegas, servidores, magistrados, ativos e inativos, advogados… Pessoas que nos auxiliam com suas memórias, suas trajetórias de vida, com suas fotografias e com seu imenso carinho e atenção ao nos atender, seja fisicamente ou, como nos últimos tempos, por telefone.

Temos o privilégio de trabalhar pesquisando, conversando, ouvindo e contando histórias. Claro que há toda uma outra parte (burocrática, administrativa, maçante). E que faz parte de nosso cotidiano. Todo trabalho tem um lado assim. Mas é “o colocar na balança” que nos mostra o quanto nos envolvemos, o quanto nos dedicamos, o quanto nosso trabalho conversa, de certa forma, com quem somos, com quem gostaríamos de ser. Não é um trabalho perfeito, talvez nenhum seja. Mas é aquele para o qual eu posso dedicar o que de melhor há em mim neste momento. Na esperança de que você, que lê essas linhas (e espero que várias outras também), possa perceber o quanto colocamos de nós mesmos aqui dentro. O quanto há de carinho dedicado aos textos que escrevemos, aos vídeos que publicamos, aos projetos que fazemos. Mas, sobretudo, quanto há de carinho dedicado a essas pessoas, com quem estamos em constante contato. E mesmo que o lado burocrático-administrativo-maçante de vez em quando pegue, é para esse lado doce, humano e de constante troca, que o fiel da minha balança pende. 

O vídeo foi produzido pelos servidores do Centro de Memória, sem qualquer intenção de ser algo profissional, mas feito com o máximo de cuidado, no limite de nossas competências. A versão que você vê aqui, com a apresentação dos três servidores da Memória, foi postada no canal do Memojus. Esperamos que você goste tanto quanto nós gostamos de fazê-lo.

Memórias Trabalhistas é uma página criada pelo Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, setor responsável pela pesquisa e divulgação da história do TRT-2. Neste espaço, é possível encontrar artigos, histórias e curiosidades sobre o TRT-2, maior tribunal trabalhista do país.

Acesse também o Centro de Memória Virtual e conheça nosso acervo histórico, disponível para consulta e pesquisa.


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Publicado por Christiane Teixeira Zboril

Radialista e jornalista, é especialista em Comunicação Pública. Possui experiência com produção de rádio e TV, assessoria de imprensa, eventos e gestão de mídias sociais. Adora fazer planos, conhecer novos lugares e pessoas, além de ouvir uma boa história. Desde 2012, é servidora do TRT-2.

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